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TraNsmutando Realidades

“Transmutando Entre Realidades” é uma coleção desenvolvida por duas estilistas que partem de pontos diferentes, mas convergem na construção de uma narrativa que aborda território, identidade, reaproveitamento de materiais e reformulação de estruturas visuais. O projeto nasce da associação entre referências regionais de Mato Grosso, imaginários trans e leituras arquitetônicas que atravessam o urbano e o natural, unindo biomas, ruas, corpos, tecnologias e técnicas de reconstrução.

O painel imagético reúne elementos que orientam esse percurso: arquitetura irregular das periferias, luzes noturnas da cidade, símbolos da cultura trans, referências à Barbie como comentário sobre padrões irreais de feminilidade, vegetações locais, rios e construções históricas da capital. As imagens funcionam como mapa visual, distribuindo padrões, texturas e atmosferas que se transformam ao longo da coleção.

A coleção, portanto, articula duas leituras de transmutação. Na primeira, o corpo se ajusta e se expande dentro de uma lógica de presença e sobrevivência. Na segunda, o território é revisitado e reinterpretado pelos restos, pelas memórias e pelas estruturas que permanecem. Juntas, essas leituras configuram um conjunto que não busca uniformidade total, mas relação, diálogo e atravessamento. O resultado final é uma coleção construída em camadas, onde roupa, corpo e território são apresentados como superfícies capazes de mudar de sentido ao serem reconstruídas.

Uma mulher em um vestido branco esvoaçante com mangas de renda está sentada dentro de um guarda-roupa de madeira aberto, olhando para cima com um braço em cada porta. Saltos altos pretos estão no chão do guarda-roupa ao lado dela.
Uma pessoa com um vestido roxo e salto alto vermelho posa dramaticamente no parapeito de uma janela, com uma perna levantada e o braço esticado para cima, olhando com confiança para a câmera.
Uma mulher com longos cabelos escuros está sentada no parapeito de uma janela, sorrindo, com uma perna levantada e o pé apoiado no parapeito. Ela usa uma roupa marrom com babados, botas pretas de salto alto e acessórios dourados, segurando parte de sua roupa.

A construção dos doze looks é dividida entre dues autorias. Giu Otomura parte de referências de rua, noite, arquitetura urbana, tecnologia e linguagens presentes nas vivências de pessoas trans femininas. A silhueta é guiada pela desconstrução de calças, vestidos e camisas reaproveitados, explorando recortes, volumes e texturas que sugerem atravessamentos e reconfigurações do corpo no espaço. O percurso dos seis looks organiza uma narrativa que começa com densidade e rigidez, avança pela construção de potência, alcança o fluxo da madrugada, passa por uma pausa intermediária, inicia um processo de abertura e termina em uma estrutura completa, marcada por superfície integralmente texturizada e pela reorganização final dos materiais. Esse conjunto opera na interseção entre forma reconstruída, presença urbana e transmutação gradual.

Alice Anayumi, por outro lado, desenvolve seus seis looks a partir de referências territoriais do Mato Grosso, com ênfase nas paisagens, biomas e construções simbólicas do estado. Os looks abordam mata, Cerrado, arquitetura colonial, rios e elementos mitológicos regionais. A materialidade se organiza por tecidos de reaproveitamento, peças vintage e vestidos de festa garimpados. Cada look estabelece relação direta com um aspecto do território: vegetação densa, Cerrado como fonte essencial, estruturas coloniais, movimento das águas, figuras noturnas do imaginário regional e o céu mato-grossense. A aplicação de volumes, sobreposições, duas camadas de saia, bolsas não tradicionais e tecidos como lantejoula reforça a leitura de um território múltiplo, que oscila entre passado e presente, entre artesania e modificação estrutural.

Cores

TEcidos

DIVERSIDADE

Estampas

Texturas

Upcycling

A coleção utiliza o upcycling como método central. Esse procedimento orienta tanto a materialidade das peças quanto o discurso da coleção, operando como metáfora para formas de existência que são deslocadas, reaproveitadas e reformuladas. O uso contínuo da técnica texturizaçãõ estabelece um código visual recorrente, aplicado de maneiras distintas em cada look, criando unidade entre peças construídas a partir de materiais heterogêneos. As duas linhas se encontram no uso do reaproveitamento como método, na reconstrução de tecidos e no interesse por narrativas que partem da margem para reorganizar o centro da coleção. Enquanto Giu trabalha a transmutação a partir do corpo trans que se adapta, se desfaz e se recompõe, Alice trabalha a transmutação territorial, onde paisagens são atravessadas por tempo, história e conflito. O ponto de convergência está no entendimento de que as duas realidades — corpo e território — passam por processos semelhantes de desgaste, deslocamento e reinvenção.

Acessórios

Os acessórios utilizados no ensaio vieram majoritariamente de brechós, incluindo sapatos e bijuterias como brincos, pulseiras e chokers. As bolsas que compõem os looks foram confeccionadas pelos designers do projeto, Giu Otomura e Alice Anayumi, integrando o mesmo processo de criação e reutilização de materiais presente nas roupas.

Ficha técnica

Estilistas: Giu Otomura e Alice Anayumi

Maquiagem e Cabelo: Israel Alves e Vitor Souza

Comunicação: Lua Pinheiro e Vitor Souza

Fotografia: José Medeiros

Making Of (p&b): Pollyana Rodrigues

Produção Executiva: Heidi Nogueira

Apoio: Tiemi Otomura, Vânia de Paula e Luiza Ribeiro

Espaço: Casa Cuiabana

Modelos

Alexya Silva

Cindy Clafort

Kelly Arcanjo

Miriadnny Muniz

Rebeca Lopes

Victoria Amaral

O texto diz MODA + para + todes em uma fonte minimalista, em estilo pastel, em um fundo claro.

Moda para Todes é um espaço que reúne profissionais trans para evidenciar a potência de pessoas sistematicamente invisibilizadas, tanto economicamente quanto simbolicamente. Cada peça revela um processo complexo, marcado por trabalho compartilhado, práticas criativas diversas e reinvenções que afirmam autonomia e presença. O futuro do projeto se constrói ao ampliar a participação de pessoas trans em todas as etapas da moda, fortalecendo um campo profissional mais aberto, consistente e afirmativo. Nesse horizonte, criação, reconhecimento e sustentabilidade social se tornam práticas contínuas, guiando a expansão de uma rede que transforma o modo como a moda é produzida, percebida e vivida.

Contato

+55 61 99986-9292

Mato Grosso – Brasil

APOIO

Uma forma geométrica abstrata laranja com pétalas translúcidas sobrepostas está centralizada em um fundo claro. Quadrados em rosa, amarelo e laranja desbotados estão espalhados pelo desenho.
Um logotipo simples em preto e branco de uma casa com três janelas retangulares e um telhado recortado, acima do texto A CASA DO CENTRO em letras maiúsculas.
A imagem exibe o nome José Medeiros em texto preto em um fundo cinza claro, com uma linha vermelha vertical fina à direita do texto.

Realização

Logotipo do Governo do Mato Grosso, com um emblema em preto e branco e um texto onde se lê Governo de Mato Grosso em um fundo branco.

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